quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Oi? Alô? Tem alguém ai? Aqui talvez?



Porque fazer isso me deixa tão esplendorosamente tentada a mais e mais?
 A ser, a mostrar, a guardar, a pensar.
Por quê?
(Tininininin... tininininin)
Fala-se que pôr aqui é bom. Faz bem. A quem? Por quê? Pra quê?
Confesso, sinto-me aliviada. Mas por quê? (Tinininini... tinininini) Pode haver de ninguém ver. Ou não. Ou sim. Ou os dois!?!
Alguém liga? Eu ligo? Quem liga?
(Tinininini...)
- Alô? Alô?!?
Ninguém liga se vai estar aqui ou não.
-Tu, tu, tu, tuuuu...
Eu ligo ao ver que ninguém vê.
- Caiu...
Isso faz mesmo bem?
E se faz, faz pra quem?

Naiara Cavalcanti

Descontruindo o insano


As constatações insanas das minhas ações veem há surpreender um dia talvez a sua normalidade descontruída. Cresceu e tornou-se tão seco e frio que por vezes esquece de que há juventude em alguns poucos seres no mundo. Foca-se no intocável e torna-se para muitos uma múmia não muito interessante. Não muito interessante. Cala-te oh boca insana e age! Age como se não mais houvesse mais ações. Tempo sem construção obvia e colorida. Surdos escutando cegos enxergarem. Insanamente, teu frio te cala as ações.

Naiara Cavalcanti

Momento S u s t e n t a d o


O sono me consome os restos de energia que me deixam continuar aqui. E sabendo que muito vai demorar para que eu possa descansar, passo a temer ainda mais minha confiança em mim mesma. Preciso ser e estar. Fazer e ver.
Meus olhos fecham por instantes imensos e por milésimos eu sinto um prazer imensurável de poder me desligar desse mundo. Sinto que quanto mais demora mais esses momentos se tornam esplendorosos e mágicos. Perigosos também.
A luz dos teus olhos e a macies de tua pele bem que poderiam estar me impregnando à alma. E o corpo concreto que carrego num fardo sem fim. Ou não. No esperado fim. Se ao menos eu pudesse te ter não concretamente, talvez ajudasse. Mas nem isso. A adaptação de meu eu a esta nova rotina de não e exageros está quase me enlouquecendo. Ainda mais pela distância próxima de teu concreto.
Gostar-me-ia que os nossos eus se encontrassem sobre mantos macios e quentes, num lugar fresco com pouca luz, ao som doce e meloso de um piano, rodeados de desejos e vontades, velas em chamas e incensos instigantes.
Ahhh, que bom seria poder satisfazer-nos num ritmo lento e romântico, sustentado e prazeroso. Faz-me ser tua sem pressa e sem pudor. Deixa-me te perfurar com meu olhar e te encantar com os prazeres que outro eu pode te proporcionar. Vamos nos concentrar em não pensar e apenas sussurrar ao pé do ouvido um do outro palavras desnecessárias aos ouvidos pensantes. Vamos nos entregar a ilusão da perfeição da vida, nos emocionar com a beleza do insano, rir com os momentos bufões que por vezes nos tornam os seres mais felizes do universo. Vamos apenas deitar e sentir. Fazer o outro sentir. Ter e doar pouco, mas o suficiente para nos debruçarmos num universo atemporal.
Tanto falei e desejei e senti e... e... ah... gostaria mais e mais agora. O sono se foi. Meu corpo sonolento agora deseja ardentemente por esse momento.

Naiara Cavalcanti