sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Meu Rosmaninho ll - Pensando num final






A corrente foi muito forte.
Não aguento mais.
Tenho segredos guardados,
amores no passado,
dores eternas.
Em verdade, eu o amei um dia.
Mais que a minha própria vida.
Ter de enterrar parte de mim,
morta por suas mãos
é pior que ter te enlouquecido.
Fui eu mesma que te enlouqueci?
Se foi, então parte de mim ter ido
é culpa minha também...
... eu o ajudei mata-lo.
Eu o ajudei?
Estou tão, sozinha agora.
Pra quê então continuar?
Ah...
como eu o amava.
Ainda lembro do dia que me entreguei a ti.
O dia em que eu me permiti ser uma princesa.
Ainda sonho com nosso fruto.
Mas um rio de coroas floridas insiste,
tudo isso precisa e vai ter fim.
E as águas caminham fortes,
águas tão macias e convidativas.
A natureza ao fazer-nos crescer
não nos favorece apenas em forças e tamanho,
se amplia o espaço reservado pra alma e pra inteligência.
E para os sentimentos caro irmão...
os que nos fazem felizes ao extremo
e os que nos destroem, nos afundam, nos matam.
Ele se foi... nada mais importa.
Morreu, nada mais ousa.
E eu, a mais desgraça dentre as mulheres
tenho de ver minha admirável razão partir.
Não!
Ser obrigada por uma outra razão.
Ele não quiz nadar...
a correnteza o levou.
E agora a correnteza que me leve,
querendo ou não.
Ele se põe na janela.
A correnteza que me leva aos poucos.
A correnteza que parece encontrar seu caminho
sem a ajuda dos olhos.
Oh poderes celestiais,
devolvam-me a razão!
Não consigo mais saborear os doces sons.
As violetas... elas se foram junto ao meu amor.
Não há motivos para continuar.
Ele logo se vai também.
As correntes sempre morrem.
Encerrarei no peito
minhas doces lembranças,
as amargas e azedas afogarei.
Afogarei todas junto a flores
para que um dia quem sabe
elas cheguem bem perto da beleza delas.
Eis meu rosmaninho amor,
é para lembrança,
e só essa bela coroa
e as belas águas desse rio tem a chave.
Te peço amor,
não esquece.

           Naiara Cavalcanti

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